COMO A DSRA É HERDADA? ENTENDA A GENÉTICA DESSA ANOMALIA NO CANE CORSO
Após compreender o que é a DSRA (Dental-Skeletal-Retinal Anomaly) e seus principais sinais clínicos, surge uma pergunta importante:
Como essa doença é transmitida entre as gerações?
A resposta está na genética.
Os estudos realizados até o momento indicam que a DSRA apresenta um padrão de herança autossômica recessiva, um mecanismo bastante conhecido na genética veterinária e responsável por diversas doenças hereditárias em diferentes espécies.
Compreender esse padrão ajuda criadores e proprietários a entender por que a doença pode permanecer "escondida" durante muitos anos antes de surgir novamente.
O que significa herança autossômica recessiva?
Cada cão recebe duas cópias de cada gene:
-
uma do pai;
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uma da mãe.
No caso da DSRA, podemos representar essas combinações de forma simplificada:
BB — cão geneticamente normal.
Bb — cão portador da mutação, mas clinicamente saudável.
bb — cão afetado pela doença.
Os cães portadores normalmente apresentam aparência totalmente normal, razão pela qual a mutação pode permanecer circulando silenciosamente por várias gerações.
Por que a doença pode "pular gerações"?
Essa é uma das características mais conhecidas das doenças recessivas.
Como os portadores não apresentam sintomas, eles podem transmitir o gene alterado aos descendentes sem que ninguém perceba.
Quando dois portadores são acasalados, existe a possibilidade de nascerem filhotes afetados.
Por esse motivo, muitas vezes uma doença genética parece desaparecer durante várias gerações e reaparece inesperadamente em uma ninhada.
Na realidade, ela nunca desapareceu; apenas permaneceu oculta nos animais portadores.
A influência da consanguinidade
Outro aspecto importante é a relação entre doenças recessivas e acasalamentos entre parentes.
Quando animais aparentados compartilham um ancestral comum, aumenta a probabilidade de ambos carregarem a mesma mutação genética.
Consequentemente, cresce também a chance de que um filhote receba duas cópias do gene alterado, manifestando a doença.
Isso não significa que toda consanguinidade produzirá doenças, mas explica por que programas de criação precisam conhecer profundamente a genética das linhagens utilizadas.
O que mostram os heredogramas?
Nos heredogramas utilizados em genética é comum observar situações como esta:
-
várias gerações compostas apenas por cães aparentemente normais;
-
nascimento inesperado de indivíduos afetados em gerações posteriores;
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identificação de um ancestral comum responsável pela transmissão da mutação.
Esses esquemas ajudam a visualizar como um gene recessivo pode permanecer oculto durante muitos anos antes de se manifestar.
Resumindo a herança da DSRA
As principais características desse padrão de transmissão são:
-
a doença pode permanecer oculta por várias gerações;
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cães portadores geralmente não apresentam sinais clínicos;
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cães afetados recebem uma cópia alterada do gene de cada um dos pais;
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acasalamentos entre portadores aumentam o risco de nascimento de filhotes afetados;
-
testes genéticos representam uma ferramenta importante para programas modernos de seleção.
Conhecimento genético é uma ferramenta de preservação
Compreender como uma doença hereditária é transmitida permite tomar decisões mais conscientes na criação.
Hoje, a genética oferece recursos que ajudam criadores a reduzir a ocorrência de enfermidades hereditárias sem necessariamente comprometer a diversidade genética da raça.
Por isso, conhecer o padrão de herança da DSRA representa um passo importante para todos aqueles que desejam contribuir para a preservação do Cane Corso.
No próximo artigo...
Depois de compreender como ocorre a transmissão genética da DSRA, surge uma questão inevitável:
O que fazer com cães portadores da mutação?
Essa pergunta envolve genética de populações, conservação da diversidade genética e estratégias de seleção responsável.
No próximo artigo apresentaremos as recomendações discutidas em trabalhos científicos e o que pesquisadores têm sugerido para enfrentar esse desafio.
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