Aliot di Orta Nova
Poucos cães exerceram tanta influência na história recente do Cane Corso quanto Aliot di Orta Nova, considerado o primeiro exemplar da era moderna e registrado sob o pedigree nº 1. Nascido na propriedade da família Lino Iorio, em Orta Nova, província de Foggia, Aliot tornou-se um dos pilares do processo de recuperação da raça iniciado na década de 1970.
Lino Iorio não era apenas um criador, mas um agricultor que utilizava o Cane Corso diariamente nas atividades rurais. Sua família preservava esses cães havia várias gerações, selecionando-os pela funcionalidade, coragem e capacidade de trabalho muito antes da criação do primeiro standard oficial.
Em outubro de 1974, Aliot foi apresentado, fora de competição, na Exposição Internacional de Foggia com o objetivo de divulgar a antiga raça italiana. Foi nessa ocasião que ocorreu o encontro entre Lino Iorio e o biólogo Dr. Paolo Breber, episódio considerado um dos marcos do renascimento moderno do Cane Corso.
Entretanto, ao longo dos anos surgiram diversas imprecisões históricas envolvendo Aliot. Segundo o depoimento de Mario Nero, sobrinho de Lino Iorio e testemunha direta daqueles acontecimentos, o peso divulgado de 47 kg nunca correspondeu ao peso real do cão. Alguns meses após a avaliação inicial, Aliot foi pesado em uma balança utilizada por caminhões agrícolas, registrando 51,2 kg. Essa informação foi comunicada ao Dr. Breber, que considerou a diferença pouco relevante, permanecendo, contudo, o valor inicial registrado na literatura.
Outra correção importante refere-se à dentição. Mario Nero afirma que Aliot não era prognata, como posteriormente passou a ser divulgado por alguns autores. Segundo seu relato, o cão apresentava mordedura em tenaz, com leve tendência à tesoura invertida, descrição compatível com as anotações originais realizadas por Paolo Breber. Para Nero, a posterior classificação de Aliot como prognata representou uma interpretação equivocada dos fatos.
Existe ainda outra controvérsia envolvendo sua memória. No banco internacional de pedigrees atualmente disponível na internet, a fotografia atribuída a Aliot não corresponderia, segundo Mario Nero, ao verdadeiro exemplar criado pela família Iorio. O próprio Nero declarou que, além das fotografias realizadas por Paolo Breber, nenhum outro pesquisador visitou a propriedade para fotografar Aliot, razão pela qual questiona a autenticidade da imagem atualmente utilizada por alguns bancos de dados.
Independentemente dessas controvérsias, Aliot permanece como um dos cães mais importantes da história moderna do Cane Corso. Sua trajetória está diretamente ligada ao trabalho de preservação desenvolvido por Lino Iorio, cuja família manteve o antigo Molosso Italiano por várias gerações, muito antes da oficialização da raça. As fotografias reunidas nesta página representam parte desse importante patrimônio histórico preservado pelo Acervo Cane Corso.
Na Foto: Aliot di Ortanova retratado no Livro "Il Cane Corso" do Biologo Paolo Breber, e abaixo, o falso Aliot, colocado no site database.


Ficha Histórica
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Nome: Aliot di Orta Nova
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Criador: Lino Iorio
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Local: Orta Nova, Foggia, Itália
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Nascimento: Década de 1960 (aprox. 1962–1963)
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Registro histórico: Pedigree nº 1 da era moderna
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Primeira apresentação pública: Exposição Internacional de Foggia (1974)
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Importância histórica: Considerado o principal reprodutor do início da recuperação moderna do Cane Corso.
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Observações históricas: Existem controvérsias documentadas sobre sua fotografia, peso e dentição, conforme depoimento de Mario Nero, sobrinho de Lino Iorio.